7 de junho de 2009

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A mente leva-nos à loucura e ao topo do prazer...

Um jogo. Uma brincadeira impensada. Uma luta onde são os sonhos que explodem e o sangue rebenta no antes, no durante, no depois. Um suar de corpos nos gemidos da dança, das danças. Duas bocas que se dividem pelo sabor dos diferentes beijos. Muitas bocas. Orgias de lábios e línguas, naquelas duas sequiosas bocas. Apenas duas que em tantas se dividem. Um dos teus beijos soube-se a flor de cerejeira. A mente... a loucura... o prazer... a culpa que não sente, não se pensa, não existe... apenas o prazer de um corpo pelo outro e do outro pelo primeiro. Um jogo. O jogo. As palavras que não se debitam, saem como os beijos daquelas duas, apenas duas, bocas. Olhares que se trocam... ora lânguidos, ora raiados de luz, ora rasos de água... sem jogo. Braços que se abraçam, se apertam, se enlaçam... naquele jogo de corpos, sem jogos. Apenas porque, uma noite, a mente nos levou à loucura e ao topo do prazer...

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Infelizmente existem os dias, que apaziguam disfarçadamente a solidão da noite.
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4 de maio de 2009

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Tece-me, num manto em que as pétalas serão a teia. A trama será feita pelos finos e verdes ramos do que sou. Mistura os tons de forma harmoniosa, para que o retrato me favoreça. Tece-me com o auxílio do vento que sopra ledo pelas tuas mãos. Não haverá lenhina que dificulte a tua tecelagem. E o pente, que bate e une o meu corpo, será feito com os teus dedos. Vestir-me-ás de mim. Manto. Conha. Epiderme florida e cheirosa. Vagarosamente... vagarosamente vou deslizando em ti. Percorro, com a lentidão que imprimes à tua laçada, os intervalos em que me passas. Gosto. E tu, gostas de forma igual. O sorriso apodera-se das faces. Os gestos deixam de ser pensados... embora pausados. Cresço de ti. Da tua habilidade. E, entre teia e trama, laçadas e emendas invisíveis, vou atapetando o sonho, o céu, as nossas horas... assim, eternamente! Tornei-me trepadeira que completa a pérgula do jardim do paraíso, que será nosso por um dia. Cerúlio momento vibráctil encaixado no branco das nuvens que roçam nossos corpos. Estende os teus braços e alcança os meus. Pedintes. Aconchega-te no meu peito sufocado pelo excesso de ar. Tão perto estamos das estrelas! Tão perto estamos de um Deus. Uma força maior. Na tontura de viajar na caude de um cometa. Descrever uma trajectória elíptica em volta de um rei de luz. Roubemos-lhe um raio! De tantos que solta, não lhe notará a falta. Oferece-nos o calor que seu corpo liberta. Abre-nos as mãos como que a chamar-nos ao fogo da paixão. Falta-nos a água. Virá! Virá do cair invertido das chuvas. Vai refrescar-nos o sangue para que prossigamos um amor. O nosso! No último rebentar de paixão a nossa pele estava rubra. Vulcões expulsando lavas. Espumas ferventes. Foi apaziguadora a presença da água. Um novo alento para um novo momento. Tece-me... Tece-me outra vez...





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12 de abril de 2009

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Sombras de cor. Retalhos. Pedacinhos de vida. Sonhos que se não perdem pelos tempos. Porque é tão efémero o tempo de coexistência do verde com o rosa nas magnólias? Porque, sendo efémera a vida, nos parece tão longa ou tão curta conforme os momentos? Porque saímos de certa idade? Aquela em que todas as perguntas nos assaltam. Aquela em que as respostas são insuficientes ou não existem mesmo. Porque não temos direito a moldar o tempo? Apenas a pará-lo para sempre... o nosso. Quero ficar! Ficar a ver as magnólias florir. Ver as pétalas cobrirem o chão como um tapete que o tempo vai decompor e aproveitar. E outro virá. Semelhante ao primeiro. Belo. Tão frondoso como o que morreu. No mesmo corpo que quase não chegou a despir-se. Eu não queria ser botão, ou flor, ou pétala... queria ser árvore e permanecer.

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2 de abril de 2009

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Hoje acordei num abraço manso. Daqueles serenados pela noite dentro, no espasmo do corpo e na humidade do leito. Dos que deixam no quarto o aroma dos actos. Os que, atando-se, se desatam de pudores. Sim! São esses os abraços em que pensas. Abraços de pernas e braços. Abraços de laços e nós. Abraços de inspirar e expirar. São todos esses... em que nos atamos até ser madrugada. São todos esses... em que andamos tão (des)atados até voltar a ser noite. Os que trago comigo apertados no peito. Os que me fazem sentir o teu folêgo no meu pescoço... agora, que é dia. E o farão de novo... logo... que será noite!
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27 de março de 2009

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Há um subtil mordiscar nos meus lábios quando me olhas. Um desejo que te entrego.

Entende a linguagem que o meu abraço fala.

Sente o ardor que me percorre o corpo.

Não deixes que apenas os meus olhos se contentem. Entende o que dizem. Entende-os!

Entende-me... e sacia-me!

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24 de março de 2009

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Hoje... ocorreu-me falar de amor. Hoje?! (risos) Alguém me disse que não sei dizer outra coisa. Que gasto as palavras de amor de tanto as escrever! (mais risos) Podem explicar-me como se abusa de amor? Não com se abusa do amor... como se abusa de amor?
Não consigo imaginar certas palavras, gastas. Usadas, sim! Exaustas, também! Mas há palavras que nunca sucumbirão pelo uso ou entrarão em desuso. (marota gargalhada) Como os gestos não podem parar. Como o amor não pode deixar de ser explorado. Explorar o amor?!
Realmente há palavras que estragam tudo! (gargalhadas) E disse eu que me ocorreu falar de amor. (desisto... e a ele me entrego de sorriso nos lábios).






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22 de março de 2009



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Humedeci o corpo quando me entreguei no mergulho dos teus braços.
No leito do teu rio de água doce entrei e saí vezes sem conta.
Descansei nas areias brancas que te cercam e te servem de margem.
Nelas me enrolei enquanto relembrei o meu rodopio nas tuas correntes.
Sequei a pele nos grãos de areia que agora me contornam.
Numa pausa de ti sorrio, aguardo que voltes... e, apenas com um dedo, percorras uma qualquer linha curva do meu corpo.
Um dedo que à chegada procura nos meus lábios a saliva.
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